Sinal amarelo: tome cuidado com esses 5 elementos ao fazer um podcast narrativo

Não existe muito ‘certo e errado’, mas algumas coisas exigem parcimônia. 

Um aviso: aqui o foco são os programas de não-ficção. 

1. Músicas e efeitos sonoros óbvios

Podcast narrativo é um parque de diversões. É possível montar um cenário de metrópole ou mesmo criar uma sensação de verão só escolhendo ou criando a música certa. 

Mas tudo isso exige criatividade para fugir dos clichês e obviedades. Tocar Garota de Ipanema porque a sua história se passa no Rio de Janeiro pode não ser a ideia mais original.

O mesmo se aplica aos efeitos. Nem tudo o que é dito precisa de uma representação sonora. Por exemplo:

  • Ela abriu a porta [som da porta abrindo], foi até a garagem [passos] e ligou o carro [motor]. E foi aí que um gato apareceu no retrovisor [miau]

Uma das graças do podcast é que o ouvinte cria a cena na cabeça e completa as lacunas (assim como acontece com os livros). Você pode e deve oferecer vários elementos sonoros, mas não precisa oferecer todos

2. Atuações e diálogos forçados

Cenas e diálogos roteirizados e interpretados pelos apresentadores podem soar forçados para o ouvinte. O resultado final frequentemente fica infantilizado (o que é um problema se crianças não forem o seu público alvo). Por exemplo:

  • O açaí é a cara do Brasil. Não é mesmo, Bia? 
  • É isso mesmo, Sarah! E eu adoro açaí. 

ou 

  • Sarah, por que será que estamos falando deste tema, hein? 
  • Ah, Bia, não é só porque eu gosto dessa fruta, não. É porque o açaí é uma fruta muito importante para a economia de muitas comunidades. 

Talvez fosse mais legal se os apresentadores apenas contassem tudo isso para o ouvinte em vez de contarem um para o outro. Exemplo: 

  • O açaí é a cara do Brasil. E eu adoro. 
  • E a gente escolheu falar dessa fruta não só porque ela é gostosa, mas porque ela é importante para a economia de muitas comunidades.   

Obs.: diálogos espontâneos entre os apresentadores são sempre bem-vindos. 

3. Gravações de baixa qualidade

Se você fez uma entrevista e a qualidade da gravação não ficou tão legal, seja porque o ambiente era muito barulhento ou porque a gravação foi feita por telefone e ficou com muito ruído, o ideal é que esse áudio não ocupe tanto tempo no episódio. 

As pessoas geralmente escutam podcast com fone de ouvido. Para o programa ser gostoso de ouvir, a maior parte do áudio deve ser fácil de entender e não deve incomodar quem escuta.

Obs.: preze pela qualidade das principais entrevistas e cenas, e deixe o telefone para aqueles personagens que são mais secundários para na história.

4. Músicas muito complexas e poluídas durante a narração 

Uma música com muitos instrumentos ou com volume inadequado pode distrair o ouvinte e tirar o prazer da escuta. Não é legal quando o ouvinte tem que ficar procurando a voz do narrador no meio de tanta informação sonora.

Quando música e narração aparecem juntas, a música funciona como uma bandeja para carregar a história. Ela ajuda a história a ser contada. Ela eleva o texto e o pontua quando necessário. Uma batida a mais no fim de uma frase pode destacar uma informação importante, por exemplo.

Na dúvida, é melhor pecar pela simplicidade do que pelo excesso. E lembre que os silêncios são tão importantes quanto as trilhas. 

5. Sonoras que parecem ótimas no papel, mas não soam tão bem

Se estamos trabalhando com podcasts, precisamos levar mais em conta o que escutamos, e menos o que lemos. Ler a transcrição de uma entrevista é bem diferente de ouvir o material. Frases que parecem muito boas quando lidas podem ter sido ditas de uma forma apática ou desinteressante. E elas podem derrubar o ritmo da história. 

Uma dica: no momento de gravar a narração do episódio, tenha em mãos as sonoras que você escolheu e toque cada uma delas conforme você lê o roteiro. Isso ajuda a conectar o tom e a cadência da sua narração às falas dos entrevistados.